Por Equipe Chargeback. Revisado em 16/10/2026.

O que é chargeback: como funciona, motivos e como contestar

Resumo: chargeback é a contestação de uma compra no cartão feita pelo titular junto ao banco emissor. Se a contestação for aceita, o valor volta ao cliente e sai do caixa do lojista, mesmo que o produto já tenha sido entregue. Cada contestação recebe um código de motivo definido pela bandeira (Visa, Mastercard, Elo), e é esse código que define quais provas o lojista pode apresentar. O prazo para responder é o informado pela sua adquirente ou gateway, e ele costuma ser curto. Quem guarda as provas certas desde a venda tem como responder com evidências; quem só procura documentos depois do aviso costuma perder o prazo.

Este guia usa os manuais oficiais das bandeiras como fonte e mostra, com um exemplo em números, quanto um chargeback custa e o que entra no dossiê de evidências.

O que é chargeback

Chargeback é o estorno forçado de uma transação de cartão, iniciado pelo banco que emitiu o cartão a pedido do titular. Não confunda com:

TermoQuem iniciaO lojista escolhe?
Estorno ou reembolso voluntárioO próprio lojistaSim
ChargebackBanco emissor, a pedido do titularNão; pode apenas responder com provas
Cancelamento antes da liquidaçãoLojista ou adquirenteDepende do momento

O chargeback existe nas regras de cada arranjo de pagamento (as bandeiras). O Banco Central regula os arranjos de pagamento, e cada bandeira publica seu próprio manual de disputas. Neste artigo, usamos:

Como funciona o chargeback, passo a passo

  1. Contestação: o titular reclama da compra com o banco emissor.
  2. Abertura da disputa: o emissor registra a disputa na bandeira com um código de motivo.
  3. Débito do lojista: a adquirente ou o gateway avisa o lojista e, em geral, retém ou debita o valor.
  4. Resposta (representação): o lojista envia as provas pelo painel da adquirente, dentro do prazo dela.
  5. Decisão: o emissor aceita ou recusa a resposta. Pode haver novas etapas, conforme as regras da bandeira.

O prazo que vale para você é o da sua adquirente ou gateway, porque ela precisa de tempo para repassar a resposta à bandeira. Consulte o contrato e o painel. Os termos de uso das principais empresas, como Mercado Pago, PagBank e Stripe, tratam desse fluxo.

Os motivos mais comuns e o que cada um exige

A tabela reúne seis motivos frequentes de disputa. Os códigos abaixo vêm dos manuais citados; o resumo é nosso e não é tradução oficial.

MotivoVisaMastercardEloO que costuma resolver
Fraude em compra sem cartão presente10.4483783Autenticação (Visa Secure/3DS), histórico de compras do mesmo cliente, dados de dispositivo e IP, comprovante de entrega
Mercadoria ou serviço não recebido13.1485330Rastreio com entrega, termo de recebimento, registro de uso do serviço
Diferente do descrito ou defeituoso13.3485353Anúncio, nota fiscal e fotos que respondam ponto a ponto à alegação; registro de devolução
Assinatura cancelada13.2485341Termos da recorrência aceitos, uso do serviço após a data alegada
Cobrança duplicada12.6.1483482Dois pedidos e duas notas, ou prova de que houve uma só cobrança
Reembolso não processado13.6485385Política de reembolso aceita, comprovante de reembolso já feito
Deslize a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Fraude: o caso que mais exige preparo

Para o motivo Visa 10.4, o guia da Visa aceita, entre outras evidências, o registro de que a compra foi autenticada pelo Visa Secure, ou dados de duas ou mais compras anteriores do mesmo portador, de 120 a 365 dias antes da disputa, sem registro de fraude e com pelo menos dois elementos iguais aos da compra contestada (ID do dispositivo, impressão digital do dispositivo ou endereço IP). Para produto digital, a lista inclui data e hora do download e dados como IP, dispositivo, nome e e-mail do perfil.

Ou seja: essas provas só existem se a loja registrou esses dados no momento da venda. Não há como produzi-las depois.

Exemplo prático: quanto custa um chargeback

Loja virtual hipotética, vendendo um produto de R$ 300,00 com custo de mercadoria e frete de R$ 150,00.

ItemVenda sem disputaChargeback perdido
Receita da venda+ R$ 300,00− R$ 300,00 (receita estornada ao cliente)
Mercadoria e frete (custo já incorrido)− R$ 150,00− R$ 150,00 (não recuperado)
Resultado da venda+ R$ 150,00− R$ 150,00
Tarifa de chargeback cobrada pela adquirente (se o contrato prever)não se aplicaconforme contrato

A diferença entre os dois cenários é de R$ 300,00 por chargeback perdido (de + R$ 150,00 para − R$ 150,00), o que equivale ao lucro bruto de 2 vendas iguais (R$ 300,00 ÷ R$ 150,00). O custo de R$ 150,00 entra uma vez só: ele já foi gasto nos dois cenários. Se a loja vende 200 unidades por mês e perde 4 contestações, o lucro bruto do mês cai de R$ 30.000,00 (200 × R$ 150,00) para R$ 28.800,00 (196 × R$ 150,00 − 4 × R$ 150,00), antes de qualquer tarifa.

Se a resposta for aceita, o valor volta ao lojista e a venda mantém o resultado de + R$ 150,00.

Além da perda direta, adquirentes e bandeiras acompanham a proporção de disputas por transação. Taxas altas podem levar a monitoramento, exigências adicionais ou encerramento do contrato, conforme as regras de cada contrato.

O que guardar desde a venda (checklist de evidências)

EvidênciaPara quais motivos serveOnde fica
Resultado da autenticação 3DS (Visa Secure, Mastercard Identity Check)FraudeGateway
IP, ID do dispositivo, e-mail e nome do perfilFraude, produto digitalPlataforma da loja
Nota fiscal e descrição do anúncio na data da vendaDiferente do descrito, falsificadoERP, print do anúncio
Rastreio com status de entrega, foto ou assinaturaNão recebidoTransportadora
Log de acesso ou download (produto digital)Não recebido, fraudeÁrea de membros
Termos aceitos (caixa de aceite e texto)Assinatura, reembolsoCheckout
Conversas com o clienteTodosE-mail, chat, WhatsApp
Comprovante de reembolso já feitoDuplicado, reembolso não processadoGateway

Regras práticas:

Como montar a resposta a um chargeback

  1. Leia o código de motivo e a data limite no painel da adquirente.
  2. Separe as provas que a bandeira aceita para aquele código (use a tabela de motivos como ponto de partida, o checklist de evidências para conferir o que já tem e o manual da bandeira como referência final).
  3. Escreva uma carta curta: o que foi vendido, quando, como foi entregue e por que a alegação não procede, citando cada anexo.
  4. Envie pelo canal da adquirente antes do prazo e guarde o protocolo.
  5. Registre o resultado para ajustar o checkout e a política de entrega.

Nem toda contestação vale a resposta: se o cliente tem razão, reembolsar é o caminho. A resposta serve para as vendas legítimas.

Piloto: organizador de dossiê de chargeback

Estamos em piloto por convite com um organizador de dossiê na página do piloto. Você informa a bandeira e o código de motivo, e ele lista as evidências aceitas pelo manual da bandeira e monta o dossiê com os documentos que você já tem. Ele não decide a disputa, não garante reversão e não substitui orientação jurídica. A decisão é sempre do banco emissor, segundo as regras da bandeira. Outros guias sobre disputas no cartão ficam no blog do piloto.

Perguntas frequentes

O que é chargeback em palavras simples?

É quando o cliente contesta uma compra no cartão diretamente com o banco, e o banco tira o dinheiro do lojista para devolver ao cliente, enquanto analisa ou depois de decidir a disputa.

Chargeback é o mesmo que estorno?

Não. O estorno ou reembolso voluntário é iniciado pelo lojista. O chargeback é iniciado pelo banco emissor, a pedido do titular, e o lojista só pode responder com provas.

Qual é o prazo para contestar um chargeback?

O prazo do lojista é o informado pela adquirente ou gateway no aviso e no contrato. Ele é menor que o prazo da bandeira, porque a adquirente precisa repassar a resposta. Responda o quanto antes.

A resposta a um chargeback por fraude pode ser aceita?

Depende das provas. Para a Visa, por exemplo, contam a autenticação Visa Secure ou o histórico de compras anteriores do mesmo cliente com dispositivo ou IP iguais, entre outras evidências do manual. Sem esses registros, a resposta fica fraca.

Pix tem chargeback?

Não no sentido de cartão. O Pix tem regras próprias de devolução, como o Mecanismo Especial de Devolução, definidas no Regulamento do Pix, anexo à Resolução BCB nº 1/2020, do Banco Central. Este artigo trata só de cartões.

Fontes oficiais

As regras de disputa da Elo constam de manual não público; os códigos sem lista de evidências devem ser tratados diretamente com a sua adquirente.

Visa, Mastercard e Elo são marcas de seus titulares, citadas apenas para identificar regras públicas de disputa. A LCM não tem vínculo com elas nem com as adquirentes citadas.

Conteúdo informativo, revisado em 16/10/2026. Não é orientação jurídica individual. Regras e prazos mudam; confira sempre o painel e o contrato da sua adquirente.